terça-feira, 25 de junho de 2013

No Mundo das Aranhas


O mundo das aranhas é um mundo de paz.

As aranhas não falam, não discursam, não comentam, respeitam os seus espaços, são pacientes, esperam calmamente no canto que escolheram para observar, usam seda, tecem seda, matam silenciosamente, envenenam, são imunes, guardam o que sobra de cada refeição para depois, reciclam todos os cadáveres, não sonham, não amam.

No mundo das aranhas tudo é geométrico, desenhado cuidadosamente, elástico, resistente. Não existe acaso, tudo é estudado para funcionar religiosamente. No mundo das aranhas, o meio fica ligado a si, para que possam sentir a presa, é um alarme, uma varinha de condão que faz magia, que escreve e envia mensagem que só elas entendem e decifram.

No mundo das aranhas apenas vivem aranhas, porque quem se atreve e não é, passa a presa, deixa de ser o que era para se tornar alvo, e, logo logo sente o par de quelíceras que o anestesiam até à morte, como a injecção letal no corpo do condenado.

No mundo das aranhas, os tribunais só conhecem uma lei, só proclamam uma sentença.


No mundo das aranhas só vivem aranhas, em paz.


23.06.2013

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