No Mundo das Aranhas
O mundo das aranhas é um mundo de paz.
As aranhas não falam, não
discursam, não comentam, respeitam os seus espaços, são pacientes, esperam calmamente
no canto que escolheram para observar, usam seda, tecem seda, matam
silenciosamente, envenenam, são imunes, guardam o que sobra de cada refeição
para depois, reciclam todos os cadáveres, não sonham, não amam.
No mundo das aranhas tudo é
geométrico, desenhado cuidadosamente, elástico, resistente. Não existe acaso,
tudo é estudado para funcionar religiosamente. No mundo das aranhas, o meio
fica ligado a si, para que possam sentir a presa, é um alarme, uma varinha de
condão que faz magia, que escreve e envia mensagem que só elas entendem e
decifram.
No mundo das aranhas apenas vivem
aranhas, porque quem se atreve e não é, passa a presa, deixa de ser o que era
para se tornar alvo, e, logo logo sente o par de quelíceras que o anestesiam
até à morte, como a injecção letal no corpo do condenado.
No mundo das aranhas, os
tribunais só conhecem uma lei, só proclamam uma sentença.
No mundo das aranhas só vivem
aranhas, em paz.
23.06.2013

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