Revejo velhas fotografias, guardadas na minha mente pelos olhos que ao vê-las se fecharam, para impedir que se escondessem no fundo de qualquer gaveta, que se perdessem nas profundezas do esquecimento. E aí ficaram.
Revejo velhas fotografias que guardam sorrisos, olhares escondidos, braços abertos, palavras escritas, paredes erguidas, multidões que se agitam, flores coloridas em garridos ramos, calores desses sóis, ou o frio das neves eternas.
Revejo velhas fotografias que guardam fogos, que adormecem cansaços, que me perfuram a alma nas recordações que agitam, nos brilhos e contra brilhos, que a objectiva deixou reflectir na luz que a lente inundou.
Em cada uma vejo uma história, em cada uma está parado um momento, cada uma deu-me vida, deu-me calor ou apenas um arrepio. Por algumas me apaixonei, e vermelhas inundaram o coração que para sempre as guardou, outras amei em doce amor ou amarga desilusão. São segundos, são horas de profunda contemplação.
Revejo velhas fotografias onde as cores são folhas verdes, rosadas mãos, máscaras negras, olhos castanhos, cabelos ruivos, bocas vermelhas, sapatos, luvas, casacos, pessoas, mulheres, ou um momento em que o tempo te segurou no ar, suspensa de fios invisíveis, para que te possa recordar voando no meu sonho.
Revejo velhas fotografias, de olhos fechados, fundas na minha memória, guardadas, escondidas que estão de todos os sentidos, preservadas do tempo, para que as cores não se apaguem, para que as sombras não se esbatam, para que os sons não se silenciem, para que o amor não vacile, para que a paixão não se apague, para que tu não morras…
Revejo velhas fotografias inundadas de desejos….

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