Hoje sinto-me fraquinho
Hoje sinto FRAQUINHO….
Às vezes reconstruo-me, porque tantas vezes me desfaço, não que me desfaçam, mas quando acontece, sou apenas eu, que mudo peças, arranco bocados, mudo corolários, emendo erros, escrevo outras histórias, aprendo, torno a aprender, esqueço, choro, enxugo as próprias lágrimas, avanço, recuo, tenho medo, luto contra ele, venço-o ou simplesmente ignoro-o, grito, GRITO MUITO, enfureço-me (fujam da frente), mas também fico FRAQUINHO, muito fraquinho e não gosto.
Não, toda a gente sabe que não gosto de me sentir fraquinho, mas não me importo mesmo sem gostar, porque sei que embora fraquinho, não sou FRACO, nem sou cobarde, nem fujo das lutas, nem viro as costas, nem desisto. Se agora me sinto fraquinho, logo vai passar, e enquanto assim me sinto sou capaz de coisas impensáveis de fazer quando não estou fraquinho.
Quando estou fraquinho, sou capaz de perdoar, de esquecer, de acarinhar, de afagar, de mimar, de dar tudo o que tenho e de que sou cioso, incluindo dar-me inteiro. Enquanto estou fraquinho amo, AMO A VALER, com todas as forças de quem é forte, de quem não desiste, de quem sonha, de quem tem esperanças e certezas. Quando estou fraquinho eu sou muito mais FORTE, do que alguma vez imaginaria, sou eu mesmo, sou brisa, sou vento, sou furacão.
Por isso, se eu fosse um sentimento, escolheria ser a TERNURA. Dirão talvez vocês, mas a ternura é um sentimento FRAQUINHO! Será? Será a ternura um sentimento fraquinho?
Acho que não, acho que a ternura é o que de mais forte pode haver. Não acreditam? Deixem-me dizer-vos.
A paixão é como um furação, um tornado, tudo gira a enorme velocidade, absorve tudo num turbilhão de sensações, arrebata, aquece, abana, mas não dura muito, porque cansa, porque as sensações em que se apoia estão à flor-da-pele, são carne, são superficiais.
A paixão é como o furacão, na sua fúria louca, arrasta consigo todo o lixo que encontra e destrói muito do que interessaria preservar. Todos os furacões enfraquecem e acabam por se transformar em brisas suaves, e enquanto sopram são incontroláveis e muito perigosos, porque caminham sem rumo.
Depois existe aquele que é o mais nobre o amor. Sim este é muito mais nobre, e deve ser alimentado sempre porque é lindo. Mas para sobreviver o amor precisa de outro sentimento, A TERNURA. A ternura é suave, é subtil, exige coragem, sensibilidade. Ternura exige cumplicidades, conhecimento do outro, respeito pelas diferenças, saber ler nos olhos, conhecer os segredos da arte do toque, o afagar, o saber esperar a altura certa
.
Agora, neste momento, todos eles existem em mim, aqui, cá dentro, bem misturados, provocando um turbilhão de emoções, conforme me atacam misturados com o ferro da saudade. Enfureço-me, mas estou a rir-me de mim logo a seguir, choro com as saudades e escrevo com amor depois, GRITO, e mando-lhe mensagens com sussurros, mas se nos encontramos, tudo se acalma, esqueço os maus momentos, as solidões, as noites frias, os dias intermináveis e, a ternura invade-me, aquece-me, açambarca todo o meu corpo, amolece-me.
Sim mulher, quando estou contigo só quero aproveitar a tua presença, olhar os teus olhos, beber as tuas palavras. Quando estamos juntos o TEMPO pára, não existem relógios nem rotinas relojoeiras a cumprir, tudo fica enevoado à nossa volta, forma-se uma bolha que nos envolve, nos oculta do mundo, como se habitássemos uma ilha deserta, onde não há maldade nem sofrimento que nos atinja.
É uma bolha enorme, forte como o aço, mas transparente para deixar passar a luz do SOL ou o brilho daquela Lua cheia, mas que protege as nossas cumplicidades e faz surgir os segredos que para nós são verdades, uma enorme bolha formada de enorme ternura.
E dela nasce a vontade de te abraçar longamente, de te olhar nos olhos, de ler os teus medos e alegrias insondáveis, de admirar os teus lábios entreabertos, de apertar a tua mão, de simplesmente estar a teu lado sem nada dizer. É ternura que te dou, misturada com tudo o resto, ternura que te amolece, que te amedronta, que te abana sem perceberes porquê, porque a ternura não é vulgar, não é banal, não é falsa, não nasce sozinha, não morre. Resiste à dor, apaga toda a saudade, transmite a força que nos falta, sem pressa, sem pressa, sem pressa.
Hoje estou fraquinho, por isso preciso do sentimento mais forte que existe.
Hoje estou fraquinho, por isso preciso de toda a tua ternura
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E, se por acaso te sentires fraquinha também, não hesites, diz-me. Tenho toda a ternura do mundo para te dar… suavemente, apenas e só, muita, uma enorme ternura só para ti.
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